PORQUE HOJE É SÁBADO - Um Conto Picante (em Capítulos)
O
Mundo girando em torno de Kelly Cláudia.
1) Primeiro
depoimento extra-oficial. Local: mesa de damas em parque público. Objetivo: esclarecimentos
quanto ao envolvimento da depoente com mulher procurada e homem foragido da lei.
_ Mil e uma imagens em minha cabeça e
agora, só por estar aqui na sua frente, todas se esvaem, somem tais quais coisas
leves largadas ao vento. Já me confundo com pensamentos a respeito da minha
mãe, do sexo escasso ou do pingo de prazeres frugais que me cercam. Pensar sobre sexo e minha mãe, não dá.
Definitivamente não. Pensar sobre ela é cair em complicação, é pensar nas
gorduras do meu corpo, é remoer tudo o que jamais finalizarei. Certamente sentirei
o gosto amargo de bílis. Sei bem das oportunidades
perdidas, que me afastariam do lugar onde estou hoje, seca de tudo, e até me
abrindo contigo... Faltada de cuidados
essenciais para alguém que buscou respeito nesse mundo cão. Mas não enveredo
por esse caminho, não quero drama, apesar de ser do signo de peixes. Sei que
fujo do assunto que te interessa, mas antes preciso falar da minha avó, mãe da
minha mãe, negra e doce. Quem dera que viva fosse à vovó Vanja, com sua voz
forte e rouca. Lembro que adorava a nossa visita e ria muito com o meu pai, que
sempre procurou ajudá-la. Meu pai está morto. Partiu da vida material há 3.640
dias, no dia de Reis completará 3.650 dias de morto. Acredito que foi o dia mais triste da minha
vida.
_ Falei da minha família porque venho atrás
de brandura no coração, em busca por justiça. Apesar da sucessão de besteiras
que fiz, continuo acreditando que em algum lugar entre o céu e a terra poderei
ser feliz à justa causa. Arranquei do
mar o afeto que carrego, e o meu destino é teimoso. Não sou má pessoa. Duvido muito que, o que eu
seja capaz de te assustar, somente aqueles bem covardezinhos é que poderiam
sentir indignação comigo. Não é o seu caso. Enrolo um pouco porque expor uma
amiga não é fácil, ainda mais quando se trata de Kelly Cláudia.
Está prestando a atenção, “ irá registrar tudo?”
_ O meu envolvimento começou na sexta
feira pela manhã quando tomei o ônibus lotado em direção à Vila Kennedy, com o
propósito de encontrar Kelly Cláudia, que me devia bom dinheiro há tempos, e
andava se fazendo de morta, a caloteira. Enviei inúmeras mensagens pra ela e
nada, então descobri por meio de um amigo, nosso conhecido incomum, que ela
andava dando para o Chinelo, patrão de pó com prestigio na comunidade de Vila
Kennedy. Dizia pro povo mais chegado que era o seu aluno de inglês, mas o que
se transmitia em boca em boca era que o patrãozinho colocava carreiras de pó na
bundona dela, servindo de mesa, repetindo a lição... ”the coca is on the table”. O fato é que pra KC não faltava grana e
se agora com mesada e tudo, reinando em Vila Kennedy , não me pagasse, seria
melhor eu desistir. Desistir é quase tudo que eu fiz na vida. Já desisti de
tanta coisa que hoje em dia tenho amigos contados nos dedos de uma só mão. Mas
desta vez me embolei com a persistência e não desisti. Comecei naquele dia
encalorado a me produzir às seis da manhã, tomei longo banho perfumado com água
de rosas. O penteado me tomou tempo, inventei trança embutida. Vesti-me com
roupas da moda, descolada, com marcas aparentes e brilhantes, roupas caras que
roubei de uma conhecida rica, que nunca sentirá falta delas, pois ao invés de
aproveitar tudo que tem, vive chorando e reclamando da carência de sapatos, da
suspeição de ser corna, do filho feio e mal aluno... Aproveitei seu ataque de
mulher mimada e me esgueirei dentro do closet dela, então carreguei várias
peças de roupas e acessórios, esclareço logo que foram somente as largadas pelo
chão. Sei que os traficantes gostam de
ostentar as marcas berrantes e o quanto Kelly Cláudia ama tudo isso. Quanto mais cafona e gostosa eu ficasse, mais
fácil seria a minha inserção. Hoje em dia a aparência engana mais que as
palavras. Estou certa?
Peter, o meu amigo alemão chegado ao
pó e morador temporário da comunidade, resolveu me ajudar a recuperar o meu
dinheiro. Ele só tem vinte anos, e curte a chapa quente do entorno, me explicou
que na Alemanha tem vida segura esperando por ele, então no momento pode
mergulhar nas drogas e em sexo despudorado o quanto ele agüentar. Aprecia mais as
mulheres das favelas e dos subúrbios do que as gatinhas da zona sul, ele gosta
da putaria sem etiqueta, do chamego fácil que desperta nestas mulheres com vida
dura. Trata bem a elas, dá a pica dele com carinho, Peter escuta da boca delas
sobre os diversos maus tratos que aturam no dia a dia, e o seu orgulho por elas
cresce. Eventualmente come o cú de rapazes também, mas não se envolve com os
chefes do tráfico, têm eles como arrogantes e homofóbicos. Já viu gay ser esculachado pelos menininhos do
pó. Assume que é bissexual, gosta da pegada masculina, conta-me as suas
putarias em detalhes, quando nos encontramos a sós, repetindo o quanto se sente
abismado com a caretice e hipocrisia de certa gente no Brasil e que fica
à-vontade comigo porque sabe que não o julgo e me divirto muito, me delicio
ouvindo-o.
Cheira muitas carreiras, pagando
barato pela grama do pó. Não tem dívida com ninguém, o povo o respeita. Dá
aulas de informática e a em troca recebe aulas de danças africanas, e capoeira,
além de ajudar em mutirões de construção. Paga o dobro do aluguel pela casinha ajeitada
e cheia de improvisos. Tudo na base do jeitinho brasileiro. Ele se orgulha de
ter gato net e pagar valor ridículo de água e de luz. Quando cozinha abre as
portas e convida qualquer criatura que passa na rua pra entrar. Tem uma caixinha de som poderosa, manda o samba
alto, e logo aparece à galera, ávida por festa bafo. O alemão tem dinheiro no
bolso para torrar e com o Euro valendo tanto dá pra ser generoso até com a cocaína.
_ Contei pra ele a minha necessidade
de encontrar Kelly Cláudia, acho que ele queria me comer, então logo me apoiou.
Não sente atração por ela, acha esnobenta, metida a vilã de araque, sempre em
cima do salto alto e insistindo em falar inglês com ele, sobretudo se está ao
lado do Chinelo, o patrãozinho do pó de toda a ala central. A maior bobeira
dela, porque Chinelo espera não mais que cinco minutos para fechar a cara e a
mandar calar a boca. Desculpe-me se me estendi muito sobre a vida sexual de
Peter, é que se eu tivesse escutado a ele e ficasse para as caipirinhas, teria evitado
essa merda toda.
_ Contarei tudinho com minúcias. Cheguei
à casa do Peter na hora combinada e ele ainda dormia, estranhou e riu da minha
pontualidade, perdeu o costume europeu. Sentamo-nos para botar o papo em dia,
com Peter enrolado na toalha, então só depois que o convenci a fazer o café pra
gente e a vestir qualquer roupa contei-lhe sobre o meu plano em abordar Kelly Cláudia.
Peter não gostou e foi categórico lembrando que Chinelo está enfeitiçado por
ela, e que é violento, é muito poderoso e não reflete antes de apertar o
gatilho. Pediu-me prudência e astúcia.
_ Em português límpido e leve sotaque,
sacaneou o exuberante mocotó de Kelly Cláudia responsável por deixar o
patrãozinho do pó louco e qualquer alemão com vontade de comer joelho de porco.
Peter reconhece que o casal tem química. É falado por lá o tanto de barulho que se
escuta quando os dois estão de putaria, e já teve malandro gravando e vendendo
como som de celular. Eu penso assim: para qualquer pessoa exibida é da sua
natureza desejar a popularidade, e até ai está certo. Mas a pessoa exagera quando posta nas redes
sociais a foto com a metragem da bunda, não é? Ela está querendo palminhas de
quem? Dos moralistas e dos fofoqueiros, tipos de gente que bisbilhota a vida
alheia, que mete o malho pelas costas, que não aceita o fato da pessoa se mostrar
em qualquer oportunidade, pra qualquer vizinho, sobretudo quando enverga o espartilho
de renda, enfiado no rabo gigante. Que gente... Deixa o rabo dela pra lá.
Detesto moralistas e fofoqueiros, o meu problema com ela, não foi pela exibição
e sim o calote, como já expliquei.
_ Peter não concordou com o meu plano de
surpreendê-los nus, e, portanto vulneráveis. Não me adiantou falar que pediria
o meu dinheiro com charme, relembrando as circunstancias difíceis em que ela vivia
e como a minha ajuda foi fundamental para reerguê-la! E veja só, onde se encontra hoje! Ao lado do
rei! Meu objetivo era arrancar lágrimas. Mas, não, Peter me disse que não e
ponto final. Queria que eu a abordasse na rua, sozinha, antes dela entrar no Uber
e voltar pra casa. Achava que era vantajoso ela me ver em Vila Kennedy, mas
insistia que eu não deveria envolver Chinelo nisso. Mas eu sou teimosa tal qual mula e não
escutei o meu amigo.
_ Deixei a casa dele à surdina. Peter
não notou, estava na cozinha, preparava caipirinhas e omeletes. Atravessei as
ruas esburacadas e quando alcancei o largo da bicuda, só foi preciso andar mais
poucos metros até a casa do Chinelo.
_ O pagode era vagabundo e rolava nas
alturas, porém mesmo assim consegui escutar as risadas e os gritinhos melosos
de Kelly Cláudia. Não vi ninguém por ali, bati na porta com frio na barriga. Um
rapazote de no máximo quinze anos me recebeu, abriu o sorriso depois de me
olhar de cima a baixo, não me chamou de tia, mandou um “madame”, então
perguntei por Chinelo e em piscar de olhos Kelly Cláudia apareceu,
esplendorosa, vestida de odalisca, com as coxas graúdas e vermelhas de fora.
Estava suada e ofegante, com os olhos mel brilhando feito fogo, e com a
maquiagem em excesso no entorno dos olhos, a sua marca registrada.
_ Estupefata botou a mão na boca e me
puxou pra dentro, batendo a porta com força.
Estava drogada, era visível. Elogiou o meu visual e me envolveu em um
abraço, nisso apareceu Chinelo, com um short adidas surrado, sem camisa e sem
cueca, com o pau a meio mastro repuxando o desgaste da lycra e desfigurando
levemente o pequeno escudo do fluminense ostentado na beirada do short. Ele
perguntou o que acontecia ao mesmo tempo em que acariciava o pau e me olhava com
curiosidade. Foi a primeira vez que nos vimos e causei-lhe boa impressão, seu "piru"
continuou subindo. Kelly Cláudia notou, enrubesceu e correu para o lado dele. Avivou-lhe
um sentimento de posse, que até então eu não conhecia.
Com gestos formais me apresentou a
Chinelo, como Carlos Veloso Chinelo, cubano radicado no Brasil. Pegou-me de
surpresa, não esperava por um cubano, Peter não mencionou nada disso. Ela logo sacou a biografia dele, tirou de
dentro do top coberto por lantejoulas um pequeno livreto, impresso e
distribuído pelo tráfico organizado.
Chinelo nasceu em Cuba, e veio fugido, com os pais, era ainda criança
quando aportou no Rio de Janeiro. Cresceu na Rocinha, e adolescente se mudou
para Vila Kennedy após ver a mãe morrer na sua frente, com um tiro à queima
roupa disparado por policial fardado, o seu próprio vizinho e antigo amante da
mãe. O crime foi abafado e justiça
nenhuma foi feita para a mãe dele. No mesmo dia Chinelo com medo da morte se
mandou para Kennedy, foi morar com a tia, o pai já morava em outro estado, e
nem ficou sabendo da morte da mulher. A tia não era de sangue, mas era parenta
distante do pai, ela imigrou para o Brasil alguns anos antes deles. Ela também perdeu
um dos seus filhos para a mira afoita dos policiais, um menino trabalhador que
tirava boas notas na escola. Acolheu Chinelo como a um filho, e foi ela quem
lhe transmitiu os ensinamentos sagrados da Santeria,
uma espécie de candomblé muito popular em Cuba. Ela lhe ensinou os rituais
fundamentais para satisfazer os dois espíritos que o acompanham e o protegem ao
longo da vida. Além dos espíritos ele faz oferendas aos seus dois orixás Xangô
e Ogum. È de pasmar, mas todas essas
informações encontram-se no livreto impresso, distribuído pelo grupo. Além do
perfil do líder, a publicação apresenta o código de honra e de conduta para os
filiados na organização. Escutei com admiração que não permitem a discriminação
religiosa entre eles. Com a gestão de Chinelo todas as religiões passaram a ser
respeitadas. Quem pratica a chacota religiosa leva primeiramente uma
advertência, mas depois vira caso de morte. Você sabia deste avanço? Sobre a
produção dos livretos?
_ Sim. Naquela manhã, Chinelo irradiava
bom humor e louvou a minha presença, não parecia bêbado quando se referiu a mim
como mulher bonita. Ele disse: “mulher bonita sempre traz boa vibração pra
minha casa, seja bem vinda”. Mandou-me
sentar, então depois que escutou a minha estória, ofereceu-se para pagar o
dinheiro que Kelly Cláudia me devia. Chamou o rapazote, ordenou algo em seu
ouvido. Passados uns quinze minutos retorna ele com um envelope sujo na mão.
_ Chinelo Ignorou o agradecimento
enjoado dela afirmando que dívida é dívida e pousou, roçando com os dedos a
minha mão, um maço de notas novinhas de cem, aparentava até mais que os dois
mil reais da dívida, aceitei. De
imediato ofereceu-me também cerveja, e aceitei e depois foi à vez da vodca com
laranja e eu aceitei, chegou com pó e eu aceitei e a maconha rolando à vontade
também a aceitei, e por fim me ofereceu o seu pauzão e eu o aceitei, não tinha
condição de negar. E Kelly Cláudia, mesmo
se exibindo como musa única, sabia disso, porém não tolerou o meu descarado
gesto guloso de logo cair de boca na pirocona dele, grande, grossa com as veias
pulsando, empinada parecendo querer voar. Em alguns segundos, pus-me de quatro,
continuei vestida, mas tirei a calcinha, esfreguei antes na buceta e depois
joguei no colo dele para seguir linda chupando aquela piroca colosso com muita
gulodice, me deliciando, engolindo-a inteirinha e me lixando para a porra do
mundo...
_ Reparei satisfeita a ausência de Kelly
Cláudia na sala, me entreguei ao uivar de Chinelo, ele sentia prazer descomunal
segurando o gozo, prolongando a chegada do jorro de porra quente na minha
garganta fogosa. Estava tão bom, porém durou
pouco. Senti o cheiro do perfume doce dela e uma sombra agourenta sobre mim, o
que me fez olhar pra cima, e enxergar Kelly Cláudia com a arma na mão. O
trabuco de ferro negro reluzia na mão branca dela, a sua expressão de triunfo
me fez refletir por, alguns segundos, no que aconteceria. Mas a pica grossa
tava gostosa demais... Não acreditei ser ela capaz de puxar o gatilho, via com
rabo de olho que sentia tesão, a danada, o biquinho do peito empinava-se, e Chinelo
uivava, agarrando de qualquer maneira as
coxas dela, deixando a mostra a carne suada e branca. Quando ele reparou na
arma mandou que Kelly Cláudia a largasse e levasse lhe a buceta até a boca, queria
ele chupar aquela cavidade carequinha e carnuda. Foi pena, mas Kelly Cláudia
não o obedeceu, não estava para a putaria, ignorou o próprio tesão aparente, se
livrou das mãos de Chinelo e permaneceu séria em seu propósito de violência,
apontando a arma pra mim. Estava dopada e dominada por tal força histérica, que
a fez por fim gritar para eu largar aquela piroca, que lhe pertencia!
_ Assustei-me e parei imediatamente,
Chinelo se enfureceu, havia se desconcentrado um pouco, mas naquele momento ele
sentia-se prestes a gozar. Não tolerou.
Pulou com o pau já amolecendo tal qual um tigre enraivecido em cima de Kelly Cláudia
e tirou lhe a arma, deu tapa forte na cara dela e depois se aproximou com a pistola
em punho, ordenando a ela que continuasse o que eu comecei. Ver a arma apontada
na cabeça dela e o olhar animal de Chinelo, me fez tremer do cabelo aos pés. Aquilo foi demais pra mim, aproveitei alguns
instantes de lucidez e resolvi cair fora, me ajeitei um pouco e corri para o
banheiro, abri a torneira, molhei o rosto e me refiz um bocado. Contei a grana,
quase três mil reais. Suspirei, larguei a torneira da pia aberta, encostei
novamente a porta e sai do banheiro sem fazer barulho. Já tinha tudo o que eu
precisava. Notei a porta da cozinha aberta e sai pelos fundos, sem calcinha e ninguém
me viu.
_ Para não dar pinta de fugitiva, voltei
com a maior calma do mundo até a casa de Peter em busca de tranqüilizá-lo, mas
ele havia saído. Alguém gritou que um ônibus pirata sairia em cinco minutos
para o centro do Rio. Corri, alcancei o transporte, sem me preocupar com a
quantidade de dinheiro vivo que carregava comigo e o cheiro de sexo e álcool
que emanava do meu corpo. Só na Avenida Brasil, na altura de São Cristovam, foi
que o meu coração disparou, três policiais pararam o transporte, olharam com
cara feia para todos os passageiros, para depois nos deixar seguir. Vi o
motorista molhar a mão do polícia. Menos mal. Se decidissem me apalpar, como já
havia ocorrido comigo mais de uma vez, perderia a grana e ainda arriscava-me a levar
tiro. De todo modo nada aconteceu,
cheguei à minha casa aliviada e com dinheiro na bolsa. Não gosto e nem tenho o hábito de atrasar as
contas do mês, o dinheiro me fazia muita falta, porque sou honesta, me incomoda
dever a quem quer que seja.
O remorso de ter largado Kelly Cláudia
em tal situação só me bateu depois que o dinheiro evaporou e recebi a ligação da
mãe dela, preocupada com falta de notícias da filha. Fiquei tentada em mentir
para a dona Glória e falar que tudo estava bem, que a filhota dela viajava em
meu lugar em missão secreta, inventaria uma doença como a desculpa de não ter
ido. Mas não consegui, e acabei deixando a mãe da criatura apavorada, depois de
escutar a mais clara e pura verdade. Não
omiti o tamanho da pica do Chinelo, nem o tanto de pó que cheiramos. Não tinha
idéia que o dano seria tão grande como foi.
Dona Glória que certamente não sente cheiro de sexo a milênios, já começou
a surtar pelo telefone, aos berros me chamou de depravada. Depois mudou o tom e
agradeceu pela minha coragem de ter ido atrás da filha em Vila Kennedy. Ela já
ouvira falar em Chinelo. Só não fiquei completamente tranqüila com o grunhido
que emitiu antes de desligar o telefone. Pude escutar o choro primitivo e
dolorido. Ela arfava o peito e disse que pediria ajuda ao genro, um dos homens
de Kelly Cláudia, que mora com uma tia idosa...
_Não cometi crime nenhum contra ela,
sou mulher adulta e solteira, e só estou aqui te contando tudo isso pela
disposição em te ajudar, sobretudo após chegar aos meus ouvidos que a mãe dela
padece em hospital psiquiátrico, chamando pela filha. Já que me convenceu a
cooperar, por favor, me escute delegado. O meu coração me diz que ela está bem,
afinal não encontraram nenhum corpo delgado de mulher por lá, o que às vezes me
tira noite de sono foi o que o Peter me contou pelo telefone, falou da churrascada
que rolou naquela sexta feira, atravessou a noite e adentrou o dia, e fedia
delegado, fedia... Cheirava tão mal, que empesteou Vila Kennedy. Você sabe
alguma coisa a respeito? Ouviu falar?
****
No próximo sábado ela volta...
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E também a boa e velha





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